Histórico da Ocupação do Município

 

       O município teve origem com a construção da capela Nossa Senhora de Nazaré, ainda compreendida no município de Atibaia, em 1676 por Matias Lopes, considerado seu fundador. Em junho de 1850 foi elevada à vila, desmembrando-se de Atibaia, tendo em 1866 acrescido ao seu território terras de Guarulhos, passando posteriormente por trocas de terras com Atibaia, Piracaia, Santa Isabel e Juqueri. Finalmente, passou à categoria de cidade em 1906.

   De acordo com MERI NO (1976), no século XVII a função religiosa era de grande importância, destacando-se também a de comércio e serviços. O centro urbano era formado por habitações pertencentes aos agricultores, que as utilizavam por ocasião das festas religiosas, e por pequenos estabelecimentos de comércio e serviço, destinados ao atendimento das necessidades da população rural. Atibaia, Bragança e Nazaré eram considerados os celeiros da capital, pois abasteciam São Paulo com feijão, milho e arroz, entre outros produtos. Em 1874, a cultura do café utilizava a mão-de-obra escrava, e em 1895 destacava-se a produção da cana-de-açúcar.

   Desde sua fundação até 1946, o seu núcleo urbano era restrito à ocupação das colinas cristalinas, cujas habitações tinham características do século passado (casarões de taipa). Sua expansão se deu na direção leste, devido ao meio físico (área de menores altitudes), com habitações dispersas cujo padrão construtivo utilizava tijolos.

   Entre 1900 e 1950, a agropecuária era a sua base econômica, abastecendo o mercado local, Atibaia e São Paulo. Dentre os seus principais produtos tinha destaque o café que, juntamente com arroz, feijão, milho e mandioca, contribuía para que a agricultura se tornasse a principal atividade econômica de Nazaré Paulista, mesmo sua produção sendo pequena quando comparada com a de outros municípios do Estado. Essa atividade sofreu uma queda de produção, por volta de 1935, devido à contaminação dos seus cafezais.

   MERINO (1976) associa a diminuição da população entre 1925 e 1950, ao fato de ser o município essencialmente agropecuário, não recebendo incentivos econômicos, ocasionando, assim, um deslocamento da sua população para outros centros em busca de melhores condições de subsistência.

   Esse quadro revela, também, que a população era predominantemente rural, e que o seu núcleo urbano era pouco expressivo, o comércio era rudimentar e a indústria incipiente, não havendo atrativos à população.

   Outro fato que pode estar associado ao lento crescimento de Nazaré Paulista, relaciona-se com as vias de comunicação. LANGENBUCH (1971), apud MERINO (op. cit.), comenta que a existência de um grande número de pequenos vilarejos, localizados nos arredores de São Paulo, está associada à marginalização viária que as ferrovias provocaram a um grande número de aglomerados. Por não ter sido alcançada pela ferrovia, Nazaré Paulista associa às suas características topográficas e econômicas, mais este fator para se manter num ritmo lento de desenvolvimento.

   Na década de 70, o município se sustentava com suas atividades basicamente rurais, não tendo sido influenciado de maneira significativa pela expansão de São Paulo. Desenvolvia atividades extrativas vegetais (lenha e carvão) e olarias, com crescimento das atividades de reflorestamento. Havia também uma relativa concentração das atividades de comércio e serviços, cujos estabelecimentos localizavam-se nas ruas paralelas à praça principal. E dois fatos se apresentaram como novas perspectivas de crescimento para o município: a construção da represa do Atibainha e a construção da rodovia D. Pedro I.

Para instalação da represa, foram inundados cerca de 25 Km² de áreas ocupadas com matas e fazendas produtivas, fazendo com que ocorresse um deslocamento da população rural para a área urbana ou para outras cidades. Daí o crescimento da população urbana, passando de 619 na década de 60, para 2.130 habitantes na década de 70.

A necessidade de ampliação dos serviços de fornecimento de água para abastecimento da Grande São Paulo, que motivou o represamento das águas do rio Atibainha, teve como conseqüências (MERINO 1976):

   Aumento da população por meio dos trabalhadores das empreiteiras para construção da barragem, que após a conclusão da obra se fixaram no município, mesmo trabalhando nos municípios mais próximos;

·        Construção de novas moradias;

·        Maior movimento do comércio local e instalação de novos estabelecimentos;

·        Valorização das terras, especialmente no entorno da Represa, para as atividades de lazer (loteamentos e chácaras); e Melhoria do sistema viário com a construção de novas estradas e pontes, em substituição àquelas que foram alagadas.

   A construção da rodovia D. Pedro I, em 1971, cruzando o município, favoreceu o acesso à cidade, que havia permanecido, por cerca de três séculos, relativamente isolada da capital do Estado pelas dificuldades de circulação, tornando-se um município pouco expressivo do ponto de vista socioeconômico. Essa rodovia possibilitou melhores comunicações com Atibaia e São Paulo, bem como favoreceu a instalação industrial, pois, além do acesso, disponibilizou  grandes extensões de terras, água superficial abundante e mão-de-obra. 

 

 

 

 

 

Resolução 1024x768

Home   l    Sítios e Chácaras     l    Cidade    l    História     l     Curiosidades     l     Mapa da Represa     l     Como Chegar     l     Contato  

® WEB PLANET & DESIN